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Empresas da Pandemia

Histórias de Sucesso em Portugal

Hoje, passado mais de um ano do início da pandemia – COVID19 – conseguimos ter uma visão mais clara sobre algumas histórias de sucesso de empresas que se reinventaram durante um período jamais antes vivido pela nossa geração, traduzido num período de muita incerteza.

Histórias de Sucesso em Portugal

Durante os dois meses e meio do primeiro confinamento em 2020, foram criadas 1.226 empresas, revelando um decréscimo de 24% face ao ano anterior 2019, pondo fim a uma tendência positiva na criação de empresas.

Nos primeiros 4 meses do corrente ano 2021 foram constituídas 13 866 novas empresas, levando a um crescimento de 4,3% face ao período homólogo do ano de 2020.

No entanto, a crise pandémica gerou um motor de reinvenção de novos negócios não fossemos nós considerados o povo do desenrasca e do improviso.

Abrimos os nossos horizontes para novas oportunidades e com isso muitos negócios surgiram para dar uma resposta face à situação que estávamos a viver. Muitas ideias começaram em casa e pouco a pouco foram ganhando terreno.

Face a todos os constrangimentos decorrentes das restrições impostas, muitos negócios decidiram enfrentar a pandemia reinventando-se.

Houve um boom na digitalização da atividade, através da criação de sites/empresas/lojas, como por exemplo através da plataforma do Jumpseller, de modo a responder às novas tendências de consumo que dispararam com a pandemia.

A intenção estava direcionada no sentido de continuar a proporcionar o mesmo serviço ao cliente sem que este tivesse que se deslocar fisicamente.

A par deste crescimento, gerado pelo aumento do e-commerce, vimos também crescer as empresas transportadoras como a DPD que nos continua a levar os bens pelos quais aguardamos ansiosamente nas nossas casas.

Assistimos também ao arruinar de vários negócios com layoffs, falências e insolvências. No meio de um turbilhão de acontecimentos, também começaram a surgir novas ideias para criar novos negócios ou mesmo até mudar de vida ou rumo profissional.

Nós os portugueses temos as ideias, a criatividade, temos a vontade, temos a garra, para tornar momentos difíceis em oportunidades e fazer história. Abaixo, através de uma pequena abordagem, podemos encontrar histórias dessa audácia, através da criação de uma empresa durante a pandemia.


Pão do Beco

Tudo começou durante o confinamento há pouco mais de um ano atrás. De chef de cozinha, António Mello decide aventurar-se como padeiro em casa. No início, coziam 2 pães à vez, levando o forno a estar ligado mais de 12 horas por dia.

Durante os primeiros 7 meses o Café Brotéria foi o ponto de produção. Em Setembro de 2020, o projeto ganhou um novo membro: o Lourenço, irmão do António.

E com ele, o Pão de Beco ganhou força para florir. Cresceram entre entregas ao domicílio, parcerias com mercearias e as aventuras do mercado do Santos Collective aos sábados.

Chegaram a um ponto em que o Café Brotéria já não chegava e por isso o Ano Novo de 2021 foi vida nova para o projeto. Mudaram de espaço e ganharam um forno a valer. Hoje contam com uma equipa 100% dedicada e com vontade de mais.

A produção é limitada e as entregas são feitas às terças-feiras e sábados, entre as 12.00 e as 15.00. Confirme com o chef, agora padeiro, se a sua zona está abrangida pelas entregas, feitas pelo próprio.


Cooperativa Santos Collective

Apareceu durante a pandemia para apoiar os diferentes sectores que foram afetados. Veio colmatar uma lacuna do bairro ajudando o comércio local, pequenos negócios e pequenos produtores a desenvolver e testar as suas ideias nos mercados e acima de tudo, apoiar a comunidade.

É um projecto de responsabilidade social criado por comerciantes do bairro para comerciantes do bairro. Se quiserem apoiar este projecto de alguma forma, todos os sábados estão a receber donativos de comida para a @assistenciapsov ou poderão sempre doar o que quiserem via PayPal. Também procuram voluntários para o mercado aos sábados das 9h00-13h00.


Sopas do Dia

As sopas de Teresa Corrêa da Silva sempre foram muito elogiadas pelos filhos, por isso, quando a pandemia foi declarada e o seu trabalho na área do turismo ficou parado, teve a ideia de levar essas taças de aconchego a mais gente.

São entregues às quartas-feiras e sábados em Lisboa e às quintas-feiras em Cascais. A partir de oito doses não têm custos de entrega – há caixas de duas (4€) ou de quatro doses (7€) –, e as sopas são todas feitas com produtos frescos, sempre sem batata.

Há um menu fixo com quatro sopas: creme de cenoura com tomate e aipo, de couve-flor e alho francês, de curgete e coentros, ou de minestrone. Todos os meses acrescentam uma nova.


Malamadre Food

Cindy Galván, mexicana, e Alejandra Ferrer, colombiana, trabalharam juntas no Comoba, no Cais do Sodré, e a vontade de juntar as duas culturas e sabores ficou no ar.

A quarentena deu-lhes ideias e criaram a Malamadre. Não é estática nem dedicada a um só produto: a vida da Malamadre será dividida por capítulos, anunciados semanalmente no Instagram, onde têm uma imagem gráfica forte e colorida.

O primeiro capítulo desta história foi dedicado à sanduíche de frango frito, bem crocante e picante q.b., com maionese de queijo azul, pickles, jalapeños e couve roxa.


Muka

Depois de quase cinco anos a viver em terras de Sua Majestade, Teresa e Manuel deixaram os empregos e fizeram as malas com o objetivo de cruzar todo o continente americano.

A ideia era ir desde a Patagónia ao Alasca, mas a pandemia apanhou-os a meio caminho e veio trocar-lhes as voltas. Confinados em casa, decidiram criar um pequeno laboratório de fermentação e o queijo vegetal surgiu numa das experiências.

Daí até criarem a marca foi um salto. Chamaram-lhe Muka. Foi uma palavra criada a partir da junção das palavras 'mudança' e 'karu', que significa 'verde' na língua do povo Mapuche, originário do Chile e Argentina.

Os queijos da Muka são produzidos através de técnicas de queijaria artesanais e milenares, em que os queijos passam por um processo de fermentação, utilizando uma matéria-prima de origem vegetal: frutos secos biológicos.

O foco está em utilizar o mínimo de ingredientes possível nos produtos e deixar que a fermentação e o tempo façam o seu trabalho, sem recurso a aromas, texturizantes, corantes ou conservantes.


Softparticle

Adérito Ribeiro de uma aldeia de Oliveira de Azeméis, sentiu de forma brutal o impacto da pandemia, não fossem os restaurantes os seus principais clientes. O negócio caiu quase 90%, por isso precisava mudar e foi o que o empresário fez.

A softparticle, empresa criada durante a pandemia - covid19 - veio fazer face às necessidades urgentes de material de proteção como máscaras e dispensador de álcool gel para toda a comunidade.

Apesar de um número limitado de produtos, tem vindo a conquistar num curto espaço de tempo um largo número de clientes dos mais variados setores.

Ainda assim, acha que a venda de máscaras veio para ficar no nosso dia-a-dia e que, em setores como a restauração e a aviação, serão doravante a regra. Confrontado com a possibilidade de o negócio cair, Adérito diz que não tem para já solução, mas que confia na capacidade de se adaptar.


The Sandwich Project

André Coelho e Marta Caldeirão criaram o The Sandwich Project. Começaram com três sandes, preparadas com técnicas de cozinha de autor, em pão de mistura com massa-mãe, e inspiradas nas suas músicas e sabores favoritos – a Pork Floyd, com cachaço de porco; a Red Hot Chilli Chicken, com peito de frango; e a Veal Division, com novilho dos Açores.

Entretanto já acrescentaram uma quarta, vegetariana, a Florence & The Mushrooms, com cogumelos pleurotos salteados (8,75€ cada). Fazem entregas gratuitas no concelho de Lisboa para um pedido mínimo de duas sandes, ao almoço e ao jantar de quarta a sábado entre as 12h-15h/19h-21H.


LevarTravel

Como se não fosse suficientemente difícil, Nuno e Isabel quiseram ainda duplicar a adversidade, o casal quis colocar em prática o sonho da paixão das viagens abrindo um negócio. Isto quando o turismo era um dos setores mais afetados pela paralisação e pelos confinamentos a nível mundial.

A levarTravel, fundada em 2020, é uma empresa de viagens culturais e de aventura, com uma visão de futuro baseada na sustentabilidade do nosso planeta e na sua regeneração, e totalmente focada no desenvolvimento e contributo de causas sociais, animais e ambientais.

A levarTravel pretende ser uma voz ativa na defesa e bem-estar do nosso planeta, tendo estabelecido parcerias com instituições de voluntariado e de solidariedade comunitária, com o intuito de desempenhar um papel preponderante nas estratégias de crescimento e desenvolvimento dessas mesmas instituições.


Nevaro

A empresa foi oficialmente criada em 2020 por Rita Maçorano, Francisca Canais e Hugo Ferreira, em plena pandemia, altura em que estavam a fazer testes-piloto da com vários hospitais e clínicas, como o Hospital da Luz– no entanto, estes testes foram interrompidos de forma forçada.

A equipa começou de imediato a trabalhar em mais ferramentas como explica a responsável: «Adaptámos a nossa plataforma de aquisição dos sinais fisiológicos para o caso desta nova doença e desenvolvemos, assim, no espaço de um mês, e contando com a ajuda voluntária de estudantes da faculdade, uma plataforma de auto-monitorização do quadro sintomatológico da COVID-19, que apelidámos de ‘Nevaro4Covid’.

Esta plataforma foi disponibilizada gratuitamente a vários lares e residências seniores, com o intuito de melhorar a gestão e monitorização da pandemia». Foi assim que decidiram «aliar a potencialidade das tecnologias de medição dos sinais cerebrais, e também cardíacos, à gamificação, com o intuito de contribuir para a melhoria da terapêutica de doenças neuropsiquiátricas».


Loja à Porta

A ideia surgiu quando Ricardo Costa ficou sem emprego, durante a pandemia. Com a sua experiencia na criação e gestão de sites e redes sociais, o desenvolvimento de um supermercado online com entregas aos domicílio, foi bem executada.

«Na altura os players mais importantes estavam com dificuldade para fazer face ao aumento súbito da procura e por isso apostei na criação de um serviço com menos falhas e com tempos de entrega mais rápidos do que os outros estavam a fazer.».

É uma empresa que está a dar os primeiros passos, mas conta com uma equipa com décadas de experiência na distribuição e retalho. De momento só trabalham online, e fazem entregas nos concelhos de Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Maia, Matosinhos e Porto.


Num Instante.MG

Tudo começou durante o primeiro confinamento, através de uma brincadeira e desafio em casa durante a quarentena. A pandemia trocou as voltas a Margarida Gomes que trocou o trabalho de assistente de bordo pelo de pasteleira.

Decidiu embarcar neste projecto através da cozinha dos pais, onde fazia a magia acontecer com a ajuda da irmã Maria. Inicialmente faziam bolos para a família mas com o desconfinamento viram aumentar o volume de encomendas e tiveram que procurar uma nova morada com um espaço equipado.

E foi na Parede que encontraram a loja onde servem os bolos Num Instante. A tarte, a granola, o brigadeiro e o red velvet são os que têm tido mais procura.


Asoka

Dois primos largaram os seus empregos em plena pandemia para se dedicarem a este projeto. Diogo e Frederico, fundadores do Asoka Veggie Market, confessam que «a pandemia foi o contratempo que impulsionou a nossa vontade de iniciar este projeto».

Além de ser o primeiro talho vegetariano e vegan, também o nome é totalmente original. Os dois primos, nascidos e criados na Parede, acreditam que a loja se encontra numa área privilegiada geograficamente, permitindo entregas em Lisboa, Sintra e Margem Sul, ao mesmo tempo que os clientes se podem deslocar à loja.

O Asoka Veggie Market promove ainda a política de desperdício zero e está a trabalhar para eliminar por completo o plástico das embalagens. Apesar de ser um talho exclusivamente vegetariano e vegan, Diogo e Frederico garantem que é um talho para todas as pessoas.

Para aquelas que querem mudar os hábitos alimentares, pretendem «ajudar a dar os primeiros passos», para os veganos e vegetarianos, pretendem «dar-lhes um espaço que os faça sentir em casa».

No futuro, pensam em franchisar a marca e em expandir internacionalmente. Por enquanto, pretendem criar uma comunidade sólida de clientes e aumentar a confiança em torno da sua marca.

A curto prazo, prometem aumentar a disponibilidade de datas de entrega e alargar a distribuição a supermercados.


Barü Pastry

Juliana Penteado tem formação em nutrição e é chef pasteleira. Depois de uma rota por Portugal para conhecer a fundo a doçaria do país e de um curso de aromaterapia, lançou a Barü, uma marca de sobremesas onde cada doce tem um óleo essencial.

O menu muda semanalmente e é sempre publicado no Instagram, onde explica a utilização e os benefícios de cada óleo nos doces em questão.

As encomendas devem ser feitas através do Instagram ou por WhatsApp e têm um serviço próprio de entregas em Lisboa (taxa de 3€), Algés (4€) e Cascais (5€), de segunda-feira a sábado.


Rural Move

Foram os efeitos da pandemia Covid-19 no interior do país que mostraram a Fernando Belezas que estava na altura de pôr as mãos à obra e mudar a perceção que o mundo tem da ruralidade portuguesa: dessa necessidade nasceu a plataforma Rural Move.

É uma plataforma que atrai trabalhadores qualificados, portugueses e especialmente estrangeiros, que trabalhem remotamente, para fora dos grandes centros urbanos.

No fundo, é um convite: é um convite para deixar a vida agitada da cidade e ganhar alguns anos de vida na calma do campo, onde há menos poluição e recursos mais baratos. Conectam e capacitam os trabalhadores, empresas e localidades rurais para alcançarem bem-estar, competitividade e dinamismo económico através do trabalho remoto.

Author

Sónia Pat Silva

Especialista em Conteúdo Digital
Sou apaixonada pela vida, natureza, animais, educação e conexão. Já vivi, trabalhei e estudei em algumas cidades da Europa (Santiago de Compostela, Manchester, Dublin, Londres). Sou professora de Português com experiência em tradução, conteúdo digital, transcrição, CRM – Suporte ao Cliente. Tenho uma atitude positiva perante tudo o que vida me dá, trabalho a partir de casa e tenho mais de 8 anos de experiência de trabalho na indústria digital.